Estudo avalia o perfil genético da COVID longa

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Instituto Evandro Chagas (IEC) e da Universidade do Estado do Pará (UEPA) avaliou o papel de dez polimorfismos funcionais em genes que codificam citocinas envolvidas nas principais vias inflamatórias da COVID-19 e proteínas associadas ao risco de trombofilia. Assim como outros polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) associados à regulação da expressão de receptores HLA de classe II e células dendríticas.

O estudo, publicado na revista científica Viruses – que contou com uma amostra transversal composta por 199 pacientes com COVID longa e uma coorte de 79 pacientes com COVID-19 – identificou, entre dez genes candidatos, dois polimorfismos associados a COVID longa, tanto na via inflamatória quanto na via principal da trombofilia. 

“A base genética do longo desencadeamento da COVID é escassa e o nosso estudo está entre os primeiros a abordar os fatores genéticos do hospedeiro subjacentes à doença”, comenta o pesquisador Antonio Carlos R. Vallinoto.

Os resultados mostraram que, em geral, as proporções de sintomas na fase aguda da doença foram maiores entre os pacientes que progrediram para o quadro clínico de COVID longa. O genótipo AA do gene de interferon gama (IFNG) esteve em maior frequência entre os pacientes com COVID longa, associado a presença de sintomas. Além disso, o genótipo CC do gene MTHFR associados à trombofilia também foi mais frequente entre os pacientes com COVID longa. 

“Apesar das associações genéticas promissoras identificadas, a pesquisa tem limitações e pontos fortes, como a necessidade de estudos futuros com amostras maiores e acompanhamento e controle rigorosos de pacientes com COVID longa, a fim de avaliar padrões de evolução de COVID de longa duração e sua suposta base genética do hospedeiro. Os resultados fornecem dados importantes para estudos futuros, como a avaliação dos níveis plasmáticos de homocisteína, e começam a revelar a extensa complexidade da sintomatologia de longa duração na COVID-19”, explica o imunologista.

O artigo é resultado da tese de doutorado de Rosilene da Silva, no Programa de Pós-graduação em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários da UFPA, sob orientação do Prof. Dr. Eduardo José Melo dos Santos, desenvolvido como parte integrante do projeto “Estudo de prevalência, de vigilância epidemiológica e de biomarcadores da infecção por SARS-CoV-2 em áreas urbana e indígena no Estado do Pará” – financiado pelo CNPq, sob a coordenação do pesquisador associado da SBI, Prof. Antonio Carlos R. Vallinoto (UFPA).

> O artigo está disponível no link: https://www.mdpi.com/1999-4915/15/4/885 
Autores: Rosilene da Silva, Kevin Matheus Lima de Sarges, Marcos Henrique Damasceno Cantanhede, Flávia Póvoa da Costa, Érika Ferreira dos Santos, Fabíola Brasil Barbosa Rodrigues, Maria de Nazaré do Socorro de Almeida Viana, Mauro de Meira Leite, Andréa Luciana Soares da Silva, Mioni Thieli Magalhães de Brito, Maria Karoliny da Silva Torres, Maria Alice Freitas Queiroz, Izaura Maria Vieira Cayres Vallinoto, Daniele Freitas Henriques, Carla Pinheiro dos Santos, Gisele Maria Rachid Viana, Juarez Antônio Simões Quaresma, Luiz Fábio Magno Falcão, Antonio Carlos Rosario Vallinoto e Eduardo José Melo dos Santos.

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