O diagnóstico laboratorial para COVID-19 pode ser feito por duas técnicas diferentes: o RT- PCR e o teste imunológico. O teste de RT-PCR consiste na detecção do material genético do vírus, em amostra coletada no trato respiratório superior dos pacientes com suspeita da doença. A coleta da amostra é feita utilizando um swab que é inserido nas narinas e na parede da garganta (orofaringe).

O vírus Sars-CoV-2 possui RNA como material genético. Para o diagnóstico da COVID-19 por RT-PCR, o RNA viral é extraído da amostra do paciente. Em seguida, o RNA viral é transcrito em DNA e, logo após, é feita uma reação de PCR para detectar o material genético do vírus. O Ministério da Saúde do Brasil recomenda que a técnica de RT-PCR seja realizada entre o terceiro e o nono dia após o início dos sintomas, pois nessa fase, é possível encontrar maior carga viral. É recomendável que pacientes sintomáticos com resultado negativo para COVID-19, pela técnica de RT-PCR, repitam o exame. Resultados falsos negativos são possíveis devido a coleta, transporte e armazenamento inadequados da amostra coletada.

No teste imunológico o objetivo é identificar anticorpos contra o Sars-CoV-2 no soro de indivíduos com suspeita da doença. Os antígenos do Sars-CoV-2 mais comumente utilizados para detecção de anticorpos nos testes imunológicos são a proteína N e a Spike (S), ou segmento S1 da proteína S. As principais plataformas dos testes de imunodiagnósticos utilizados para Sars-CoV-2 são os testes rápidos, ELISA e quimioluminescência, que possuem sensibilidade estimadas em 70, 85 e 95%, respectivamente. Normalmente a especificidade destes testes, ou seja, detecção de falso positivos, não é um problema.

Não é completamente compreendido o tempo que se leva para que pacientes com COVID-19 desenvolvam anticorpos. Alguns estudos indicam que anticorpos de imunoglobulina da classe A (IgA) e M (IgM) apareçam por volta de sete dias após o início dos sintomas, seguido pelo aumento de imunoglobulina da classe G (IgG). No entanto, esse tempo pode variar de acordo com características do próprio paciente, carga viral e método de detecção dos anticorpos. Estudos recentes indicam que indivíduos assintomáticos desenvolvem uma resposta imune mais fraca ao Sars-CoV-2 em comparação com pacientes sintomáticos. Além disso, ainda não se tem uma ideia clara da duração da resposta imune e período que os níveis de anticorpos anti-SARS-CoV-2 se mantém elevados na circulação após a resolução da infecção. Por estes motivos, o método de diagnóstico por RT-PCR é considerado mais acurado para detecção da infecção ativa.

Escrito por:

Gabriela Burle
Instituição: Centro de Pesquisas René Rachou – Fundação Oswaldo Cruz.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1182460329644567

Isabella Hirako
Instituição: Centro de Pesquisas René Rachou – Fundação Oswaldo Cruz
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1184115154881325